interlúdio akashico

A artista tece os registros da primeira performance como uma fotonovela. Escreve sobre ‘o mundo das imagens e o mundo das projeções’ para  21 frames. Imprime os 5 primeiros frames juntos em papel fotográfico [ 330 cm de comprimento por 110 cm de largura ], e a obra pode ser exposta enrolada ou solta, como um recorte de uma narrativa ou ‘filme’.

 

As ações aconteceram sucessivamente : - no ateliê Cordas em São Paulo; espaços públicos de Brasília - Memorial dos Povos Indígenas, - Museu Nacional Honestino Guimarães, - Teatro Nacional Cláudio Santoro e - Santuário Dom Bosco; durante a performance sonora de Phil Jones no espaço - DeCurators; - Serra do Roncador (MT); - expedição ao Alto Xingu.

 

Fragmento do texto: O mundo das imagens é o mundo das projeções.

Ninguém chega neutro até uma imagem, sem trazer consigo até aquele momento,

Toda sua bagagem ancestral, biológica, física, cultural, social; pensamentos recentes e ocupações do dia.

Perante uma obra de arte, quem observa e quem é observado?

Quem verdadeiramente foi deslocado no espaço e atraído até aquele lugar ou instante?

O que a imagem vê em você? Por que ela te atraiu para lá?

E após certa deriva, observar-se observando e sendo observado pela obra ...

então coloque-se no papel da obra agora, por que ela vive e outras não?

Percebe a grandeza deste encontro?

topologia de mistérios

A ação performática com máscaras da artista Juliana Freire, tem como mote ativar significantes/forma e significados/conteúdos por meio do conceito de mistério. A deriva com o aparato transborda naturalmente, como uma experiência topológica de narrativas sensíveis.

 

Juliana Freire e/ou artistas convidados propõem ao público pensarem-se como uma ‘grande obra de arte em processo’. As máscaras são utilizadas como dispositivos de conectividade para emergir no grupo memórias (físicas, emocionais, energéticas e mentais) “dormentes” e novos trânsitos (fluxos) de possibilidades criativas.

O campo do mistério é instaurado desde o primeiro contato e, através do entrelaçamento de ideias sobre o corpo e a máscara, inicia-se o processo coletivo de cocriação na ação. No decorrer do ato, Juliana instiga o grupo a costurar combinações imagéticas e simbólicas com diálogos e registros. O intuito é perceber-se como ‘obra’, um CorpoMonumento segundo a artista.

 

Desenvolver a ação em espaços /localidades de interesse cultural, ambiental ou místico e com diferentes públicos são gatilhos para a artista.


Colaboradores : Feco Hamburger, Daniel Antônio, Gisel Carriconde Azevedo, Mateus Lucena, Lana Chadwick, Yasna Yañez, Luis Bahu, Roberto Maya, Paulo Barcellos e Nara Grossi.

brasília

Há teorias que criam um paralelo entre Brasília e a cidade de Akhetaton (Amarna em árabe) no Antigo Egito, que possui a forma do pássaro Ibis, sagrado na mitologia egípcia. A proporção de Amarna é similar - suas asas tem aproximadamente 4 km por 2 km -  e ambas possuem lagos artificiais, para amenizar o calor e o clima seco.

 

As cidades estão situadas sobre chacras secundários do planeta, que se formam pelo cruzamento das linhas ley que cortam o planeta de ponta a ponta formando pontos de tensão, centros de força ou chacras. Juliana e um grupo de amigos artistas visitam pontos históricos na cidade com formas como útero, céu estrelado, pirâmide, nave espacial ou oca indígena.

serra do roncador

Região Mais Central do Brasil. A expedição do explorador inglês Percy H. Fawcett desapareceu na serra e mais de 100 pessoas morreram tentando encontrá-lo. Perdura a teoria de que há uma chave dimensional para Eldorado, cidade da civilização atlante.

 

No meio do Roncador há um lago cristalino chamado "O Portal", sem nenhum ser vivo em suas águas e que segundo crenças locais, dá acesso à Atlântida. Outro acesso seria uma enorme rocha de cristal perfeitamente redonda e transparente, medindo 10 metros de diâmetro. Os ancestrais dos índios Xavantes utilizavam essa rocha como espelho.

A artista visitou a entrada da Serra em Julho de 2018, a caminho do Xingu.

xingu

Segundo a pesquisa de Michael Heckenberger (2001), pode-se recuar à pré-história do Alto Xingu até o final do primeiro milênio de nossa era. Os povos do Parque reconhecem a interferência de uma multiplicidade de seres espirituais, desde os de plantas, peixes, animais, estrelas, objetos, até os mais importantes, associados às flautas proibidas às mulheres e ao ritual feminino do Yamuricumã. 

Juliana Freire e Mônica Martins conhecem Anuiá Amarü em São Paulo e começam uma parceria para captação de recursos para o Kuarup do Pajé Sapaim. Um grupo de apoiadores conseguem através da LDC Foundation e Brazil Foundation uma parte do fomento do ritual e se deslocam para o Alto Xingu. Durante o tempo que passaram em 3 aldeias, Amarü, Yawalapiti e Kamayura, cada um desenvolve sua pesquisa autoral com os povos.

 

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