
Estátua de Cora Coralina
CIDADE DE GOIÁS - GO - BRASIL
Durante a pandemia de Covid-19
2020, 2021

Juliana Freire
2025
Fotoperformance durante a I Residência Casa Tempo.
Fotografia Vinícius Monte
Igreja Matriz do Bom Jesus, Buenolância, Goiás
BUENOLÂNDIA - GOIÁS - BRASIL
MARCO ZERO DO ESTADO
Foto performance na Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, ou Igreja Matriz do Bom Jesus.
Buenolândia é o distrito onde se deu o primeiro assentamento em Goiás, o Arraial da Barra.
Fundado por Bartolomeu Bueno da Silva (o "Moço") em 1726, sendo um marco zero da história do estado, ignorando toda a história indígena ancestral que ali havia. Não há sobreviventes dos povos Goyazes.
Este povoado provisório deu origem à Vila Boa de Goiás (hoje Cidade de Goiás), fundada em 1727 pelo bandeirante e posteriormente elevada a capital em 1749. Posteriormente, em 1937 a capital muda de Goiás para Goiânia.
'POVO FANTASMA' E COLONIALISMO
Os Goyazes foram um dos primeiros povos indígenas encontrados pelos invasores portugueses na região.
Habitavam a região da Serra Dourada, no Brasil Central. Acredita-se que o termo era usado pelos Tupis do litoral para se referir a grupos com os quais tinham afinidades linguísticas e culturais no interior, em oposição aos "Tapuias" (termo genérico para povos não-Tupi).
Existe um debate sobre se os "Goyazes" eram uma etnia distinta que se autodenominava assim, ou se era apenas o nome que os Tupis lhes davam. Alguns pesquisadores levantam a hipótese de que seriam Tupis "sertanejos" cercados por povos Jê (como os Kayapó do Sul). Segundo algumas tradições, eles podem ter migrado da região amazônica em tempos não muito remotos antes do contato com os colonizadores.
Os Goyazes e outros grupos da região resistiram à colonização, mas o contato resultou em desorganização da comunidade, doenças e violência. Acredita-se que foram dizimados, há quem diga que parte foi absorvida por outras comunidades indígenas e pela sociedade colonial. O impacto da invasão bandeirante na região transformou os nativos em um "povo fantasma" na historiografia, com pouca ou nenhuma representação direta e contínua nos dias de hoje.

SANTUÁRIO ANCESTRAL
Os cromeleques são monumentos megalíticos pré-históricos, construídos principalmente durante o período Neolítico e o início da Idade do Cobre (entre 4500 e 1500 a.C.). Erguidos por comunidades agrícolas e pastoris, a sua função exata permanece um mistério, mas acredita-se que desempenhavam papéis em rituais religiosos, cultos astrais ou como calendários primitivos.
A arquitetura megalítica propagou-se por toda a Europa, com as estruturas de Malta consideradas entre as mais antigas.
O Cromeleque dos Almendres, perto de Évora, em Portugal, tem as suas primeiras pedras datadas de cerca de 7000 anos atrás, sendo anterior a Stonehenge em cerca de 2000 anos. A construção envolvia o trabalho coletivo de tribos que usavam troncos e cordas para mover e erguer as enormes pedras, conhecidas como menires.

Juliana Freire
2023
Fotoperformance em parceria com Vinícius Monte.
Fotografia Christophe Van Hame
Évora, Alentejo, Portugal
CAPELA DOS OSSOS
EVORA - ALENTEJO - PORTUGAL
Capela dos Ossos da Igreja de São Francisco, foi construída no século XVII por três frades franciscanos com o objetivo de refletir sobre a fragilidade da vida humana. As paredes e pilares são revestidos com milhares de ossos e crânios de cemitérios próximos, o que reforça a mensagem de transitoriedade inscrita na entrada: "Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos.'
Construída no século XVII dentro do complexo da Igreja e Convento de São Francisco. A ideia partiu de frades franciscanos que desejavam
transmitir uma mensagem sobre a impermanência da vida. Além da reflexão espiritual, a construção também teve um propósito prático: dar um destino ao acúmulo de ossos de cemitérios da cidade, que estavam superlotados devido ao crescimento populacional e às epidemias. Cerca de 40 cemitérios locais foram esvaziados. As paredes e pilares foram revestidos com milhares de ossos humanos, incluindo crânios e fêmures. O teto é decorado com afrescos de 1810. A capela também abriga múmias de um adulto e uma criança.
Na saída da capela, há um painel de azulejos do arquiteto Siza Vieira.

O Museu de Évora (antigo Museu Regional) abriga coleções de arte e arqueologia, enquanto a própria cidade funciona como um museu a céu aberto, com destaque para a arquitetura renascentista, como as famosas "Casas Pintadas" e monumentos como a Sé Catedral e o Templo Romano.
https://www.cm-evora.pt/locais/museu-do-artesanato-e-do-design-made/?mp=19592&mc=2743

ARRAIOLOS _ ALENTEJO _ PORTUGAL
A história de Arraiolos, em Portugal, remonta a tempos antigos, com vestígios de ocupação desde o Neolítico e forte influência artística do período da ocupação muçulmana na Península Ibérica.
Sua história documentada começa com a concessão de terras ao Bispo de Évora por D. Afonso II em 1217.
A vila recebeu seu primeiro foral de D. Dinis em 1290, que também ordenou a construção do castelo em 1305, e posteriormente um novo foral em 1511, concedido por D. Manuel. Arraiolos foi sede de condado para D. Nuno Álvares Pereira e é famosa pelos seus tapetes bordados, com origens que remontam a um período anterior ao século XV.
A arte da tapeçaria em Arraiolos está ligada aos tapeceiros muçulmanos de Lisboa que, no final do século XV, foram forçados a sair da capital e se estabeleceram em territórios mais tolerantes, como Arraiolos.Os árabes já tinham conhecimento avançado em técnicas de fabrico e concepção artística, aproveitando a lã da região como matéria-prima principal. O ponto de bordado específico, um ponto cruz oblíquo, tem semelhanças com bordados hispano-árabes e foi conhecido por vários nomes em diferentes culturas antigas, incluindo a eslava. Os desenhos e a base estrutural dos tapetes de Arraiolos têm influência oriental, que se misturou com o conhecimento local e resultou numa forma única de artesanato artístico.
A região possui vestígios de ocupação humana desde o Neolítico ou Calcolítico, presumivelmente desde o IV milénio a.C. Acredita-se que o topônimo possa ter derivado do nome de um governador grego, Rayeo ou Rayo.
Performance Juliana Freire
Fotografia Christophe Van Hamme
Castelo de Arraiolos, Alentejo, Portugal.
Castelo de planta circular, raro em Portugal, se ergue no topo do Monte de São Pedro.
No interior das muralhas, ruínas do Paço dos Alcaides e a Igreja do Salvador ou do Senhor Jesus dos Passos.


IGATU E MUCUGÊ
CHAPADA DA DIAMANTINA _ BAHIA _ BRASIL
O "Terno das Almas" em Igatu é um ritual de procissão em louvor às "Santas Almas Benditas", um patrimônio cultural imaterial da Chapada Diamantina, que ocorre em memória dos mortos. O ritual é realizado por um grupo de pessoas, frequentemente mulheres, que se cobrem com lençóis brancos e realizam a procissão durante a época de devoção aos finados, com o objetivo de honrar os ancestrais e a memória dos mortos. A prática é uma tradição ancestral, passada de geração em geração, ligada à história de Igatu e à devoção aos mortos.
As almas são tratadas como entidades sagradas, com o mesmo status dos santos no panteão católico. O ritual é um dos muitos elementos que compõem o patrimônio cultural da vila, forte ligação de seus moradores com as tradições funerárias e a memória dos ancestrais. O Terno das Almas pode estar ligado à história da garimpagem na região e às dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores que buscavam diamantes, que muitas vezes deixavam suas famílias para trás. Essa história, por sua vez, é preservada em outras manifestações culturais de Igatu, como o Museu do Garimpo e as Ruínas de Igatu.
Fotoperformance - trabalho em construção.
Fotos da artista no Cemitério de Mucugê, cidade vizinha.
2022






















































