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A escrita encontra a oralidade.

 

A menina fura e rabisca o livro

com ponta, pedra, madeira.
Não lê: costura.


A palavra vira linha,
o parágrafo vira rio.
O livro esquece que foi escrito
e lembra que é árvore.

A menina sopra as letras.
Elas voam como sementes,
são prédios ou blocos de brincar.


Ele tinge com tinta vermelha,

a página acha que é terra, 
e o livro finalmente
escuta.

Voz de tinta

 

Ela mastiga a palavra.
A letra chia entre os dentes,
levanta e anda.


O livro fecha os olhos
pra aprender
de ouvido.


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