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topologia de mistérios

 
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A ação com máscaras da artista Juliana Freire aciona, entre tantos lampejos possíveis, o mistério do um e do todo.

A deriva - individual ou coletiva - com o aparato máscara como uma expedição ou experiência topológica: narrativas e paisagens performáticas que se fazem ao caminhar, dançar, vestir, desvertir. Experiência de desrostificação e de corpo.

 

A máscara é vivenciada ao mesmo tempo como elemento ritualístico e ancestral e como provocação simbólica e artística. Portal de conectividade para emergir memórias dormentes - físicas, emocionais, energéticas, mentais - e abrir novos trânsitos, fluxos de possibilidades criativas e, sobretudo, um estado de jogo.

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Nas ações coletivas, na entrega do dispositivo, abre-se a gira: um convite à co-criação ou à intimidade. No mascarar-se surge uma tensão entre agir e não agir, e o que vem depois é quase sempre espontâneo - tanto o convite à performance quanto o destino final da máscara. Surgem passagens de desconforto, pertencimento e plasticidade. A cada grupo, a cada lugar, algo acontece. Inicia-se com ou mais mascarados oferecendo diferentes máscaras sem qualquer instrução. Geralmente os interessados, escolhem uma máscara dentre tantas opções. Fica em aberto a possibilidade de usar e após a ativação, deixar no espaço ou levar consigo.

 

Juliana começou a costurar as máscaras em 2017. Desde então, foram mais de duzentas peças, cada uma única. Metáfora da multidão que somos, dos infinitos eus e nós, do quanto é possível se reconhecer no outro e no mundo, desdobrando-se para dentro e para fora do corpo. O entrelaçamento entre os gêmeos Endo e Exo.

 

Após anos de experimentações em performances e fotoperformances, e das trocas nas vivências, o trabalho foi se desdobrando por continuidade. Foi o conceito de rostificação, apresentado por Ícaro Vidal em uma das ações, que reimpulsionou a pesquisa para o seu avesso: a desrostificação. Esse gesto se expandiu para a tentativa de neutralizar o corpo, em ações recentes com papel alumínio e palha de licuri.

 

Durante a pandemia, quando a máscara se tornou item de proteção, a investigação foi pausada - dando lugar a outros tipos de máscara, como a industrial de soldagem usada no filme Eldorado. No processo de edição das obras, embaralhar ou apagar identidades, fragmentar o autorretrato e o retrato, formam fagulhas de consciência sobre a pesquisa. Hoje, o percurso se dá no imbricamento entre subtração e soma: criar máscaras e situações que desmontam e remontam a noção de rosto e de corpo como entidades fixas.

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Desdobramento atual: a convite da artista e curadora Gisel Carriconde, novas máscaras foram produzidas para a ação coletiva no espaço Decurators (Brasília-DF), em diálogo com Spectrophilia, novo livro de Hilan Bensusan. Desta vez não em tecido, mas em verniz prateado e dourado - máscaras já não de um rosto, mas de uma fantasmagoria sci-fi e seu teor espectral.​​​​​

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interlúdio akashico

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Registros da primeira performance em linguagem - fotonovela, inspirado na obra La Jetée, de Chris Marker. 

Texto produzido para a obra - ‘o mundo das imagens e o mundo das projeções’ para  21 frames.

Interlúdio Akashico | Juliana Freire | Primeira Impressão | 330 cm de comprimento por 110 cm de largura ]

 

As ações aconteceram sucessivamente : - no ateliê Cordas em São Paulo; espaços públicos de Brasília - Memorial dos Povos Indígenas, - Museu Nacional Honestino Guimarães, - Teatro Nacional Cláudio Santoro e - Santuário Dom Bosco; durante a performance sonora de Phil Jones no espaço - DeCurators; - Serra do Roncador (MT); - expedição ao Alto Xingu.

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Fragmento do texto: 

 

O mundo das imagens é o mundo das projeções.

Ninguém chega neutro até uma imagem, sem trazer consigo até aquele momento,

Toda sua bagagem ancestral, biológica, física, cultural, social; pensamentos recentes e ocupações do dia.

Perante uma obra de arte, quem observa e quem é observado?

Quem verdadeiramente foi deslocado no espaço e atraído até aquele lugar ou instante?

O que a imagem vê em você? Por que ela te atraiu para lá?

E após certa deriva, observar-se observando e sendo observado pela obra...

então coloque-se no papel da obra agora, por que ela vive e outras não?

Percebe a grandeza deste encontro?

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primeiras 100 máscaras - tecido

Imagem da primeira ação coletiva, 2017.

Colaboradores : Nara Grossi, Yasna Yañez, Gisel Carriconde Azevedo, Roberto Maya, Feco Hamburger, Daniel Antônio, Mateus Lucena, Lana Chadwick, Luis Bahu, Paulo Barcellos, Luiz Duva, Carolina Amares, Amanda Mello da Mota, Daniel Athayde, entre outros.

desdobramentos - máscaras de tecico

descorpo - corpo-reflexo - espectrário

envoladas - corpo-poroso ou impressivo

deserto é nascente


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